terça-feira, 10 de maio de 2011

Alzheimer

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Arte de Ser Feliz - Cecília Meireles


A Arte de Ser Feliz


Houve um tempo em que a minha
janela se abria para um chalé.
Na porta do chalé brilhava
um grande ovo de louça azul.
Neste ovo costumava pousar
um pombo branco.



Ora, nos dias límpidos,
quando o céu ficava da mesma
cor do ovo de louça,
o pombo parecia pousado no ar.
Eu era criança,
achava essa ilusão maravilhosa e
sentia-me completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha
janela dava para um canal.
No canal oscilava um barco.
Um barco carregado de flores.



Para onde iam aquelas flores?
Quem as comprava?
Em que jarra... em que sala,
diante de quem brilhavam,
na sua breve experiência?
E que mãos as tinham criado?
E que pessoas iam sorrir de
alegres ao recebê-las?



Eu não era mais criança,
porém minha alma ficava
completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha
janela se abria para um terreiro,
onde uma vasta mangueira
alargava sua copa redonda.
À sombra da árvore, numa esteira,
passava quase o dia todo sentada
uma mulher, cercada de crianças.



E contava histórias.



Eu não podia ouvir, da altura da janela,
e mesmo que a ouvisse, não entenderia,
porque isso foi muito longe,
num idioma difícil.
Mas as crianças tinham tal expressão
no rosto, e às vezes faziam com as
mãos arabescos tão compreensíveis,
que eu participava do auditório,
imaginava os assuntos e suas peripécias
e me sentia completamente feliz.


Houve um tempo em que na minha janela
havia um pequeno jardim seco.
Era um tempo de estiagem,
de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre
homem com um balde e em silêncio,
ia atirando com a mão umas gotas
de água sobre as plantas.



Não era uma rega:
era uma espécie de aspersão ritual,
para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas,
para o homem, para as gotas de
água que caíam de seus dedos magros
e meu coração ficava
completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas
felicidades certas, que estão diante
de cada janela, uns dizem que essas
coisas não existem, outros que só
existem diante das minhas janelas
e outros finalmente, que é preciso
aprender a olhar, para poder vê-las assim.



Cecília Meireles



Ombra Mai Fu (Sombra Permanente)

Ao contrário do que se espera de um tirano, o Rei Xerxes,

logo na primeira ária de uma ópera, louva a beleza da sombra de uma árvore:




Ombra Mai Fu (Sombra Permanente)

"Ramos ternos e belos
Do meu amado plátano
Para ti brilha o destino

Trovões, raios e tempestades
Não irão nunca ultrajar tua querida paz
Nem os ventos do oeste
Vorazes chegam a profanar-te.

Nunca houve sombra
De uma árvore tão
Querida, amável e suave."


Para escutá-la no youtube clique AQUI



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Companheiros de Batalha

Por estes dias me bateu uma grande saudade do meu padrinho Hélcio. Sendo assim, pensei que escrevendo um pouquinho sobre ele, talvez eu pudesse amenizar um pouquinho da saudade que é muita... E em meio a esta saudade acabei escutando uma música do Dire Straits chamada "Brothers in Arms" que retrata bem a nossa amizade... seja nos momentos felizes ou nos momentos de dificuldades, melhor dizendo... de batalhas, nós sempre estamos unidos, um ajudando o outro... independente da distância. Nós nos sentimos como se um fosse o "porto seguro" do outro... quando nossas almas se encontram a alegria, a paz e a felicidade se concretizam em um sorriso e onde pisamos sentimos que, seja qual for a direção, todos os caminhos nos levarão ao paraíso.

Um amante da natureza e dos animais

Ele é realmente do outro mundo

Eu e meu padrinho há muuuuito tempo atrá hehe



E por fim gostaria de dizer...

"Porto seguro da minha alma
Coração que acalenta meu coração
Por maior que sejam as ondas da saudade
E as tempestades das dificuldades

O barco das nossas vidas
Sempre alcançará o porto seguro da nossa amizade"







Companheiros de Batalha
- Dire Straits -


Estas montanhas cobertas de névoa
são um lar para mim agora
Mas meu lar são as planícies
E sempre serão
Algum dia vocês voltarão para
seus vales e suas fazendas
e não mais arder o desejo
de ser um companheiro de batalha

Por estes campos de destruição
Batismos de fogo
Assisti a todo o seu sofrimento
enquanto a batalha se acirrava
e apesar de terem me ferido gravemente
em meio ao medo e ao pânico
vocês não me desertaram
meus companheiros de batalha

Há tantos mundos diferentes
Tantos sóis diferentes
e nós temos apenas um
mas vivemos em mundos distintos

Agora o sol foi para o inferno
e a lua está alta
deixe-me dizer adeus
todo homem tem de morrer
mas está escrito nas estrelas
e em todas as linhas de sua mão
somos tolos de guerrear
com nossos companheiros de batalha


terça-feira, 5 de abril de 2011

No campo de batalha



- "Meu amigo não voltou do campo de batalha, senhor. Solicito permissão para ir buscá-lo." - Disse um soldado ao seu tenente.

- "Permissão negada." - Replicou o oficial. "Não quero que arrisque a sua vida por um homem que provavelmente está morto!".

O soldado, ignorando a proibição, saiu,e uma hora mais tarde regressou, mortalmente ferido, transportando o cadáver de seu amigo.

O oficial estava furioso... - "Já tinha lhe dito que ele estava morto!!! Agora eu perdi dois homens. Diga-me: valeu a pena trazer um cadáver?"

E o soldado, moribundo, respondeu:
- "Claro que sim, senhor! Pois cheguei a tempo de ouvi-lo dizer suas últimas palavras:


"TINHA CERTEZA QUE VOCÊ VIRIA AMIGO !""



domingo, 27 de março de 2011

O caminho para Santiago de Compostela




Hoje à tarde eu passei no Shopping Center de Rio Verde - GO com meu primo e resolvi comprar uns dvds bem legais... por sorte achei um documentário que fala sobre o caminho de Santiago de Compostela (mais detalhes clique AQUI). Dizem ser este caminho sagrado e que todos que o percorrem têm uma grande mudança espiritual em suas vidas, descobrem algo além da vida material e modificam sua maneira de pensar. Não resisti e assisti o documentário hoje mesmo e fiquei fascinado... pensei... tenho que já me programar para realizar este sonho de percorrer este caminho o mais rápido possível (risos). Adorei o documentário que dura apenas 40 minutos. Anotei algumas frases do documentário que achei muito interessante e compartilho estas com vocês.



"Qualquer sonho é possível se damos o primeiro passo.
Então quando desejarem algo,
Todo o Universo conspirará a seu favor para que o obtenham,
Mas terá de dar o primeiro passo para alcançar o seu sonho...
e depois serão guiados."



-Não há nenhum peregrino hoje?
-Não
- Mas de alguma maneira sente-se a energia de muitos,
muitos séculos de peregrinações.



"Quantas pessoas têm o coração ferido
e passam o resto de suas vidas sofrendo de amor.
Incapazes de aceitar a energia do amor de novo."


"Acho que todas as pontes têm um significado muito especial na nossa vida.
Acho que um livro é uma ponte.
Qualquer tipo de florescimento é uma ponte
que permite que diferentes culturas se conectem."



"Eu percebo que o mais especial e mágico da vida...
o que gosto de fazer, é grátis.
Como caminhar. Eu adoro caminhar."



"O que aprende no princípio do caminho é viajar leve.
E esta é uma verdade universal.
Você sabe, a vida é muito.
Queremos carregar muitas coisas.
Falo metaforicamente..."


"Nunca pensei que conhecer gente seja mera coincidência.
Acho que sempre há um significado real em conhecer gente.
Pode ser um trabalhador de um hotel, um jornalista,
pode ser um peregrino, pode ser um motorista de taxi.
Acho que passam tantas coisas para reunir gente."



"Uma vida sem amor é uma vida sem significado.
Depois tenta escapar e vai amar a Deus.
São bobagens.
Primeiro, seja capaz de ser amado pelo seu vizinho,
depois pode amar a Deus."



"Não enfrente sua morte como sua inimiga mas como sua amiga.
Minha morte está sentada aqui.
É loira e linda.
Olha pra mim e diz:
“Vou beijar você”.
Eu digo:
“Espera, outro dia, não precisa me beijar hoje.”"




"Cebrero é uma cidade pequena que significa algo especial para Paulo Coelho.
Este é o lugar onde ele percebeu que seu sonho era tornar-se um escritor
e onde decidiu seguir seu caminho na vida.
Por esse motivo, tomou uma decisão muito especial:
"-Nunca, nunca voltarei a Cebrero.
Só voltarei a Cebrero em forma de cinzas.
Depois, o vento me levará, porque meu espírito estará aqui,
como qualquer outro espírito.""



"Não sou uma pessoa que pense muito no passado.
Vivi meu passado tão intensamente quanto pude.
Por exemplo... só fiz essa peregrinação uma vez,
mas quando a fiz em 1986
fiz com todo meu coração e todo meu corpo."



"Tenho que render homenagem ao mistério de estar vivo.
Então quero viver com as minhas perguntas...
são muito mais interessantes que minhas respostas."


sexta-feira, 25 de março de 2011

O cachorro e o coelho



Eram dois vizinhos. O primeiro vizinho comprou um coelhinho para os filhos. Os filhos do outro vizinho pediram um bicho para o pai. O doido comprou um pastor alemão. Papo de vizinho:

- Mas ele vai comer o meu coelho.
- De jeito nenhum. Imagina. O meu pastor é filhote. Vão crescer juntos, pegar amizade. Entendo de bicho. Problema nenhum.

E parece que o dono do cachorro tinha razão. Juntos cresceram e amigos ficaram. Era normal ver o coelho no quintal do cachorro e vice-versa. As crianças, felizes. Eis que o dono do coelho foi passar o final de semana na praia com a família e o coelho ficou sozinho. Isso foi na sexta-feira. No domingo, de tardinha, o dono do cachorro e a família tomavam um lanche, quando entra o pastor alemão na cozinha. Pasmo. Trazia o coelho entre os dentes, todo imundo, arrebentado, sujo de terra e, é claro, morto. Quase mataram o cachorro.

- O vizinho estava certo... E agora, meu Deus?
- E agora?

A primeira providência foi bater no cachorro, escorraçar o animal, para ver se ele aprendia um mínimo de civilidade e boa vizinhança. Claro, só podia dar nisso. Mais algumas horas e os vizinhos iam chegar. E agora? Todos se olhavam. O cachorro rosnando lá fora, lambendo as pancadas.

- Já pensaram como vão ficar as crianças?
- E você cala a boca!

Não se sabe exatamente de quem foi a idéia, mas era infalível. Vamos dar um banho no coelho, deixar ele bem limpinho, depois a gente seca com o secador da sua mãe e coloca na casinha dele no quintal. Como o coelho não estava muito estraçalhado, assim fizeram. Até perfume colocaram no falecido. Ficou lindo, parecia vivo, diziam as crianças. E lá foi colocado, com as perninhas cruzadas como convém a um coelho cardíaco. Umas três horas depois eles ouvem a vizinhança chegar. Notam o alarido e os gritos das crianças. Descobriram! Não deu cinco minutos e o dono do coelho veio bater à porta. Branco, lívido, assustado. Parecia que tinha visto um fantasma.

- O que foi? Que cara é essa?
- O coelho... O coelho...
- O quê que tem o coelho?
- Morreu!

Todos:

- Morreu? Inda hoje de tarde parecia tão bem...
- Morreu na sexta-feira!
- Na sexta?
- Foi. Antes da gente viajar as crianças enterraram ele no fundo do quintal!

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A história termina aqui. O que aconteceu depois não importa. Nem ninguém sabe. Mas o personagem que mais cativa nesta história toda, o protagonista da história, é o cachorro. Imagine o pobre do cachorro que, desde sexta-feira, procurava em vão pelo amigo de infância, o coelho. Depois de muito farejar descobre o corpo. Morto. Enterrado. O que faz ele? Provavelmente com o coração partido, desenterra o pobrezinho e vai mostrar para os seus donos. Provavelmente estivesse até chorando, quando começou a levar pancada de tudo quanto é lado.

Como conclusão, podemos dizer... coitado do cachorro? Não. Coitado do dono-do-cachorro? Não. Coitado é de nós... seres racionais...








Perdão & Esquecimento

"Ou esquecemos ou perdoamos,
Não dá pra fazer os dois.
Perdoar é sempre lembrar

E sempre aceitar."

Fabrício Carpinejar






quinta-feira, 24 de março de 2011

Em meio a guerra o amor ainda sobrevive



Há tempos vi uma linda reportagem mostrando alguns soldados que faziam uma operação no Iraque para que a população estivesse livre da facção resistente do Talibã. Por mais que aqueles soldados fossem lá para guerrear, destruir ou matar, eles mesmo assim não permitiam que esse sentimento de ódio os dominasse por completo. Por mais complicada que seja a situação onde nos encontramos ainda nos sobra força para deixarmos o que existe de bom em nós florecer. Estes mesmos soldados durante as batalhas recolhiam os animais abandonados, principalmente e os gatinhos... quanto ao resto do post acho que as imagens falarão por si... Deixo um grande abraço a todos que estão visitando meu blog, tanto o pessoal "das antigas" quanto os novos amigos que estão chegando por agora !













sábado, 19 de março de 2011

Frase de Jenny de Vries



"Mesmo o mais insignificante gesto de bondade diz:


"Eu preocupo-me"

"Tu interessas-me"

"Pensei em ti"


E isso eleva o coração."




Jenny de Vries